Girassóis e Narcisos

“Procure me amar quando eu menos merecer, pois é quando mais preciso.”

Vi essa frase no sub de uma amiga hoje. Pra mim, a frase é apenas fato.

(Wake Up Alone – Amy Winehouse)

Girassóis e Narcisos

Era apenas mais um dia comum de sentimentos inexplicáveis. Sentia-se assim o tempo todo. Podia sorrir, uma, duas, três vezes ao dia, mas quando se encontrava só… Uma tristeza tão imensa invadia seu peito. Seus olhos enxergavam coisas e pessoas, momentos passados lhe atormentavam e seu medo sempre crescia cada vez mais. A escuridão, para Ana, era seu pior terror. Mas também, conseguia ver na escuridão… as estrelas. E isso fazia com que aos poucos seu medo fosse dominado por profunda admiração. Admirava a noite, o céu estrelado e suas nuvens muito escuras e muito suaves. Admirava sempre a beleza da natureza e isso lhe fazia sorrir as duas ou três vezes ao dia. Tinha medo, mas amava estar só. Dentro de si havia um conflito interno. Os girassóis brigavam com os narcisos, fazendo com que estrondosas batalhas entre vida e morte fossem travadas dentro dela.

Tinha sonhos belos, mas sempre eram dominados por suas visões turvas. Apenas terror. Em um segundo, sentia-se completa, porém em um milésimo desse mesmo segundo, era violentamente esvaziada pela tristeza. Sentia raiva, queria gritar, matar pessoas… Mas quando enxergava dentro de si a razão, sabia que não tinha coragem alguma para prosseguir. As pessoas tentavam entende-la, saber por que Ana era assim; tão despreocupadamente preocupada com as coisas ao seu redor.

Ana era feita de extremos. Dentro de seu coração (e mais profundamente, em sua alma), cintilavam o bem e o mal. Os dois tentavam dominá-la, fazê-la sua seguidora, ou escrava. Ana não sabia que lado seguir, por isso sentia dores intermináveis na cabeça e no peito.

Em sua cabeça dolorida e perturbada, encarava seus medos e lutava contra eles. Queria libertar-se, sair daquilo, mudar sua vida, ou acabar com ela, tanto fazia… Desde que aquelas visões celestialmente infernais saíssem de sua mente. Ana entrava muito em contradição consigo mesma. Não sabia mais quem era, não conseguia reconhecer-se, apenas via uma sombra em seu futuro. Algumas pessoas próximas de Ana acreditavam que ela precisava reerguer-se a todo custo, pois aquilo ia consumi-la a qualquer momento. Outros pensavam que ela precisava fazer isso não para seu próprio bem, mas para o bem de si mesmos, que precisavam de Ana viva.

Ana não era mais real. Não vivia mais. Era praticamente uma alma solitária que existia à toa. Não sabia mais porque respirava, se havia um lugar morto em sua mente. As peças de seu jogo estavam partidas, destruídas, não se lembrava mais de como jogar.

Aquelas batalhas dentro de si pareciam intermináveis!

E então tudo acabou.

E os narcisos pareciam tão adoráveis pela manhã.

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