Soneto de Fidelidade

“De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Vinicius de Moraes, “Antologia Poética”, Editora do Autor, Rio de Janeiro, 1960, pág. 96.

Just 4 U, my valentine (L)

Sem Coração

Love Is Dead /Kerli

Quisera eu ter nascido sem coração…
Não traria vazio ao peito,
Seria livre de qualquer decepção!
E assim, quem sabe, haveria algum jeito.

Um jeito de não sofrer, de não amar
Um jeito de não sentir, de evitar
Evitar toda a dor que causa o coração
Seria mais cômodo, não haveria mais paixão

Mas nasci com um órgão que só me traz sofrimento
Que massacra com sua dor qualquer outra dor
Que tenta passar longe, mas sempre acaba dentro
Perdido naquele sentimento que se chama amor

Tudo o que tive está destruído
Quebrou-se em milhões de pedaços
Perdeu-se num lugar desconhecido
Alguém pode me salvar, e juntar os meus cacos?

Cometi o mesmo erro novamente
Perdi minha total noção
Amei enlouquecidamente
E acabei aqui nesse oceano de confusão

Dê-me razão, mas não me dê escolha
Ou eu destruirei todo o resto de mim.
Será que existe alguém nesse mundo
Que pode completar meu vazio sem fim?

•(L. Diamond)