Slipping Through My Fingers

Slipping through my fingers

Encostei-me a janela aberta do quarto, a lua estava cheia e iluminava os meus anjos mais lindos, que estavam adormecidos na cama macia. Pedrinho dormia de elefantinho, com o bumbum pra cima, e o Will estava já nos pés da cama. Parei meu olhar em Will. Quando amanhecer, vou prepara-lo para seu primeiro dia de aula, e depois do almoço, eu vou leva-lo pra escolinha. Cresceu tão rápido… Observei-os dormindo por bastante tempo, o sol já estava forte e eu, com lágrimas nos olhos, os acordei. Pedro estava manhoso, não quis levantar. Pedi à minha mãe que ficasse com ele, enquanto eu arrumava meu menino Will. Com certo esforço, levantei-o e o coloquei debaixo do chuveiro quentinho. Suas bochechinhas iam corando e a água escorria por seu corpinho. Meus olhos começavam a lacrimejar, era hoje… Para alguns, pode parecer bobagem, mas para quem é mãe, não. Ver seu filho, seu pequeno bebê crescendo rápido assim, o tempo escorrendo pelas mãos e não há nada que se possa fazer – você tem de deixa-lo ir… Coloquei um moletonzinho azul nele, estava um pouco frio, e arrumei sua mochilinha com os objetos pedidos na lista da escolinha; um copinho, escova de dentes, pasta, toalhinha de mão, uma muda de roupas pra caso ele se sujasse (ela não pediu, mas achei conveniente colocar), e um lanchinho (também não foi pedido, mas mãe se preocupa demais…) E então, lá fomos nós…

Com a mochila da escola na mão, ele sai de casa de manhã cedo, acenando adeus com um sorriso distraído, eu o vejo partir com uma onda daquela bem conhecida tristeza. E eu tenho que me sentar um pouco, o sentimento de que eu o estou perdendo para sempre, e sem realmente entrar em seu mundo. Fico feliz todas as vezes que posso compartilhar de sua risada, esse menininho engraçado.

Durante todo o caminho, ele me dizia coisas como “não vejo a hora de conhecer meus amiguinhos” e “eu vou brincar muito, mamãe!”. Meu coração estava feliz, mas ao mesmo tempo apertadinho… Ele vai se comportar? Vão entendê-lo se ele fizer manha? E se ele se machucar? As outras crianças podem ser cruéis, será que vão causar problemas? Suspirei pesado quando chegamos à porta da escola. Parei na frente dele, ajoelhei-me e olhei em seus olhinhos.

– Tem certeza que quer ir? Eu posso te levar de volta se quiser. – disse a ele.

– Quero ir sim, mamãe. – ele afirmou com a cabecinha e sorriu pra mim. – Vai ser legal!

– Vai sim, meu anjo…vai sim… – murmurei e o abracei, tentando esconder as lágrimas que vinham à tona.

– Mamãe?

– Oi, amor.

– Não está chorando, né? – eu o soltei, funguei e olhei pra cima, pra ver se as lágrimas voltavam ao lugar.

– Claro que não! A mamãe é forte! – uma lágrima escorreu e ele a secou com seu pequeno dedo.

– Está chorando sim… Está triste? – seus olhinhos estavam marejados, com uma pontinha de tristeza.

– Não, lindo! Lembra quando a mamãe falou que quando estou feliz demais, a felicidade escapa dos meus olhos? – sorri pra ele e ele retribuiu.

– Eu tenho que ir, vão fechar a porta. – ele murmurou abaixando a cabeça.

– Vai, meu anjo… – levantei e segurei a mãozinha dele. – Pronto pro seu primeiro dia de aula, senhor pirata?

– Pronto, comandante! – ele bateu continência como eu o ensinei e nós caminhamos até o pátio da escola.

Escorregando pelos meus dedos todo o tempo, eu tento capturar cada minuto, o sentimento nisso, escorregando pelos meus dedos todo o tempo. Eu realmente vejo o que está na mente dele? Cada vez que eu penso que eu estou perto de saber, ele continua crescendo, escorregando por entre meus dedos todo o tempo.

No pátio, troquei algumas palavras com a professora dele, enquanto ele conhecia alguns de seus amiguinhos. Eu ficava olhando-a e olhando pra ele, cuidando e zelando.

– A senhora pode ir, se quiser. Está tudo sobre controle! – ela sorriu e eu segurei em sua mão.

– Obrigada, querida. Fique com Deus. – soltei a mão dela e olhei pro meu menino. Ele veio correndo em minha direção, sorrindo. – Hey, a mamãe está indo pra casa, mas eu volto no final do dia pra te buscar, certo senhor pirata?

– Certo, comandante! – ele abaixou a cabeça e fez bico.

– O que foi, meu amor?

– Não queria que você fosse… – ele murmurou e cruzou os bracinhos.

– Hey… – levantei seu rostinho com um dedo e sorri pra ele. Meu coração estava em pedaços pelo que ele disse, mas eu devia me fazer de forte, passar confiança. – A mamãe volta logo, você tem de brincar muito, ouviu? Quero saber de tudo quando eu voltar! – ele sorriu e eu fiz uma cocegazinha na barriga dele, ele riu e fez bico novamente, daquele jeitinho de quem não queria rir, tentando disfarçar.

O abracei mais uma vez e o sinal tocou. Cada professora levava seus alunos pra suas respectivas salas, a sala do Will era a última a entrar. Quando ele estava indo, acenava pra mim, sempre sorrindo. Mais uma vez me controlei pra não deixar escapar o choro. E então, ele desapareceu depois da porta da sala dele.

Sono em nossos olhos, ele e eu na mesa do café, meio acordada, eu deixo tempo precioso passar, então quando ele se vai tem aquele ocasional sentimento melancólico, e um sentimento de culpa que eu não posso negar. O que aconteceu às aventuras maravilhosas? Os lugares que eu tinha planejado para nós irmos (escorregando pelos meus dedos todo o tempo), bem, algumas delas nós fizemos, mas a maioria não. E o porquê eu simplesmente não sei.

Eu saí da escolinha aos cacos. Arrastava-me pelos muros e pela rua até chegar a casa. Apenas quinze minutos de distância, mas esses quinze minutos duraram horas, assim como as horas longe do pequeno Will que pareciam dias. Não é exagero. Quando se leva o filho pra escolinha pela primeira vez, é sempre difícil. Cheguei a casa e ainda havia o Pedrinho pra cuidar, então me distraí um pouco. Brinquei com ele, mas a cada minuto meu pensamento ia parar em Will. O que ele estaria fazendo agora? Estaria bravo? Triste? Brigando? Mãe sempre pensa o pior… Uma onda de dor percorreu meu peito, que saudade do meu pequeno! As horas se passaram e enfim, fui busca-lo.

Sequei meus olhos e caminhei até lá, carregando pedras na bolsa, caso houvesse um hematoma no meu filho. Preocupação de mãe é assim, mega exagerada. Quando cheguei, ainda faltava meia hora até o último sinal. Esperei. Quando tocou o sino, corri trêmula e discreta até a porta. Havia muitas mães e pais, e familiares das outras crianças, algumas estavam evidentemente com o coração partido, outras estavam bem, não era mais o pesadelo do primeiro dia. Quando a porta se abriu, e as crianças foram sendo liberadas aos poucos, senti meu coração se aliviar devagar. E então eu o vi, com a mochilinha nas costas, vindo à minha direção, com o maior sorriso do mundo e o olhar mais feliz.

Escorregando pelos meus dedos todo o tempo, eu tento capturar cada minuto, o sentimento presente, escorregando pelos meus dedos todo o tempo, eu realmente vejo o que está na mente dele? Cada vez que eu penso estar perto de saber, ele continua crescendo. Escorregando por entre meus dedos todo o tempo.

– Mãe! – ele gritou e veio correndo pro meu abraço. – Mãe, fiz tanta coisa! – a professora dele vinha logo atrás dele e veio falar comigo.

– Mãe, ele foi um ótimo menino! Não faltou com respeito, não brigou e dividiu os brinquedos, e também tomou seu lanchinho da tarde com os outros coleguinhas! – disse ela com um sorriso.

– Obrigada por observar tudo isso! – respondi, sem saber como agradecer por tanta alegria que proporcionaram ao meu filho.

Depois de sairmos de lá, Will foi me contando tudo o que aconteceu. Enquanto ele me dizia, eu o olhava atenta, sorria e concordava, deixava que ele falasse, estava tão feliz. Chegamos a casa, o jantar estava quase pronto, e ele ainda não havia parado de me contar sobre seu dia. Ele ria tanto! Eu o levei pra lavar as mãozinhas e depois fomos todos jantar. No jantar, ele contou aos meus pais e ao Pedrinho tudo o que tinha feito, não se esqueceu de nenhum detalhe.

Na hora de dormir, lá estava ele, elétrico, e o Pedrinho elétrico por tabela! Contei-lhes uma história de ninar e eles acabaram pegando no sono…dia cheio para ambos, um em casa, outro na escolinha, mas os dois aprendendo coisas novas e descobrindo coisas diferentes. Daqui um ano, é o Pedro que vai pra escola… Mais uma vez vou passar por essa tortura psicológica. Mas agora, eu quero aproveitar o momento… Olhei pra eles, dormindo como os anjos que são, Queria parar o tempo e tê-los sempre assim, pequenos, frágeis e dependentes…mas não criamos filhos para nós mesmas, criamos nossos filhos para o mundo. O que podemos fazer é sempre dar o máximo de nós na criação, educação e amor, para que um dia eles sejam os melhores seres humanos. Devemos nos dar de alma e coração para nossos filhos, pois eles um dia, serão uma extensão de nós mesmas. É isso, foi isso o que o Michael me ensinou. A-M-O-R em primeiro lugar.

Às vezes eu queria poder congelar a imagem, e salvá-lo dos engraçados truques do tempo, escorregando pelos meus dedos, escorregando pelos meus dedos todo o tempo.

xxx

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